Apreciação crítica da visita de estudo ao Palácio Nacional de Mafra, por Rita Silva e Maria Ochoa Gonçalves (12.º B)
No âmbito do estudo do romance de José Saramago, Memorial do Convento, as turmas A, B e C do 12.º ano realizaram uma visita de estudo ao Palácio Nacional de Mafra, joia da arquitetura barroca, no dia 27 de fevereiro.
A visita teve como principal objetivo aprofundar o conhecimento sobre o contexto histórico e cultural retratado na obra de Saramago, através da observação direta do imponente Palácio Nacional de Mafra, monumento mandado construir por D. João V, figura central do romance estudado.
Durante a visita guiada, os alunos tiveram a oportunidade de explorar diversos espaços do Palácio, como a biblioteca, a sala dos troféus de caça, a enfermaria e algumas salas mais emblemáticas, ficando a conhecer melhor a grandiosidade da construção e as condições históricas associadas à sua edificação. Esta experiência permitiu estabelecer uma ligação mais concreta entre a ficção literária e a realidade histórica, enriquecendo a compreensão da narrativa e das personagensde Memorial do Convento.
A visita a este majestoso Palácio constituiu, assim, um complemento fundamental ao estudo deste romance, permitindo observar, ao vivo, os elementos históricos que inspiraram José Saramago. Ao percorrer os espaços do monumento, tornou-se mais fácil compreender a dimensão do projeto de D. João V e refletir sobre o esforço humano e os recursos envolvidos na sua construção, aspetos que são também criticamente abordados na obra. Desta forma, a visita não só reforçou os conhecimentos literários, como também estimulou uma reflexão mais profunda sobre a nossa história e sobre o nosso património nacional.
Esta atividade revelou-se extremamente enriquecedora, proporcionando um contacto direto com o património cultural português e contribuindo para consolidar os conhecimentos adquiridos em sala de aula. Foi, sem dúvida, uma experiência marcante e significativa para todos os participantes.
E agora, algumas palavras de Saramago: “Era uma lage retangular enorme, uma brutidão de mármore rugoso que assentava sobre troncos de pinheiro, chegando mais perto sem dúvida ouviríamos o gemer da seiva como ouvimos agora o gemido de espanto que saiu da boca dos homens, neste instante em que a pedra desafogada apareceu em seu real tamanho. Aproximou-se o oficial da vedoria e pôs-lhe a mão em cima, como se estivesse tomando posse dela em nome de sua majestade, mas se estes homens e estes bois não fizerem a força necessária, todo o poder de el-rei será vento, pó e coisa nenhuma. Porém, farão a força. Foi para isso que vieram, para isso deixaram terras e trabalhos seus, trabalhos que eram também de força em terras que a força mal amparava, pode o vedor estar sossegado que aqui ninguém se irá negar.”
José Saramago, Memorial do Convento

