Diário de Escritas

“Corrente da vida”, por Beatriz Duarte (12.ºB)


A vida passa sem aviso, como um rio que não pergunta,
e seguimos, muitas vezes, sem saber para onde.
Há dias de silêncio, outros de ruído,
mas todos nos moldam,
mesmo quando não queremos perceber.

Sinto-me pequena diante do mundo,
como se cada passo fosse insuficiente,
cada escolha, uma sombra de tudo o que poderia ser.
E, no entanto, avançamos,
porque há algo que nos move
mesmo sem nome,
mesmo sem promessa.

O tempo é amigo e inimigo:
dá-nos memória,
leva-nos a inocência,
traz-nos dor e esperança
num só sopro.
Aprendemos com o que perdemos,
com o que esquecemos,
com aquilo que nunca aconteceu.

Há dias em que o coração parece demasiado pesado,
e a alma procura abrigo
em pensamentos que ninguém verá.
Mas é nesses momentos que a vida se revela:
não nas certezas,
não nas conquistas,
mas nas pequenas coisas que nos atravessam,
como um vento inesperado,
como um silêncio que nos escuta.

E talvez o sentido seja apenas isso:
sentir, perceber, resistir,
mesmo quando tudo parece vão.
Seguir em frente
com medo e coragem misturados,
com saudade de tudo o que já fomos
e do que nunca seremos.

No fim, resta a consciência
de que tudo aconteceu,
e que cada instante, cada dor, cada sorriso
foi o que nos trouxe até aqui,
aqui, neste momento de respirar e existir,
sem respostas, sem certezas,
mas inteiros na nossa própria experiência.

Pedro Silva

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